
MÁRCIO LACERDDA
A Literatura Inhamunense aventurando-se pelo mundo

síndrome de epíteto
por
Márcio Lacerdda
Nossa reflexão, hoje, começa com a seguinte frase: “É impossível um homem aprender aquilo que ele acha que já sabe”. (Epiteto, 55- 135 D.C)
Epiteto, filósofo grego, disse esta frase há mais de 2000 anos atrás, retratando tão bem nossa realidade contemporânea. Podemos então dizer que sofremos da síndrome que representa este pensamento do filósofo, a qual denominarei de “síndrome de Epiteto”, ou seja, considerar o “achismo” como um conhecimento válido e comprovado. Como chegamos a isso? Esta é a pergunta. Em que momento, nossa sociedade contemporânea começou a se desvirtuar de conhecimentos, até então, sólidos e comprovados, e passou a adotar um conhecimento ou uma visão própria, sem muita base e que, muitas vezes, levam a equívocos que podem comprometer anos de evolução social, econômica e cultural? A resposta a esta pergunta está na “engrenagem que move o mundo” de hoje, ‘a informação’.
Antes dizíamos que a informação libertaria o homem, pois conhecimento e informação eram vistos como sinônimos, devido ao fato de a primeira não estar disponível tão facilmente. Hoje podemos ver estes dois vetores bem distintos, embora complementares.
A verdadeira avalanche disponível ao homem moderno poderá afundá-lo na própria ignorância, caso este possua a capacidade analítica limitada. A mente humana é uma “máquina fabulosa” feita para pensar, analisar, criar conhecimentos entre tantas outras maravilhas. Assim todos, diante de tantas informações, irão criar uma realidade com base nelas. Uma pessoa inculta absorverá, como uma esponja, tudo isso, dando base aos espectros que se escondem na ignorância como: violência, preconceitos entre tantas outras coisas que empobrecem o ser humano. Então não se admirem de encontrar defensores das coisas mais absurdas nos dias de hoje. Isso porquê, como diz Epíteto, o indivíduo acreditará que já sabe sobre o que fala, tendo seu senso comprometido pela ignorância que o impede de ser flexível para aprender com o próximo. Então, neste contexto, caso não mudemos de comportamento, buscando ser aprendiz e não mestre, a maravilha que é a facilidade das informações presente em nosso cotidiano contemporâneo, poderá enterrar todos em uma segunda “Era das Trevas”. A primeira, por não termos informações suficientes sobre tudo; já a segunda, por termos informações demais, mas mesmo assim, não estarmos preparados para elas. Mais um de tantos paradoxos. Olhando por esta óptica, é um pouco assustador e obscuro o futuro da raça humana. Contudo a história nos ensina que não importa qual a adversidade; a humanidade sempre se adaptará no fim das contas.
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A Escrita da Alma:
Onde o Romance e a
Psicanálise se Encontram
Muitas vezes me perguntam como concilio a prática da Psicanálise Clínica com a criação literária de romances. A resposta é simples: ambos buscam a mesma coisa — a verdade do sujeito que se esconde atrás das palavras.
Escrever um romance, como fiz em "O Sertão Encantado de Ritinha" (obra premiada pela UBE-RJ), não é apenas contar uma história. É um exercício de escuta sensível das vozes internas, dos arquétipos e das dores que compõem o imaginário humano. No consultório, escuto a narrativa da vida do analisante; no papel, dou estrutura e fôlego às narrativas da alma coletiva.
Como Psicanalista membro da SOBRASP e Escritor Romancista, entendo que o ser humano é uma obra em constante construção. O conto pode capturar um instante, mas é no Romance que a profundidade da alma ganha a estrutura necessária para ser compreendida em sua totalidade.
Minha trajetória, validada cientificamente pela UFC e reconhecida por instituições literárias, me permite hoje transitar entre esses dois mundos com um único objetivo: ajudar a dar nome ao que, por vezes, parece indizível.
