
MÁRCIO LACERDDA
A Literatura Inhamunense aventurando-se pelo mundo

O vento que bate à porta não é convidado
Mesmo que fosse, não é bem-vindo
As promessas tardias perderam o valor
A flor em outro solo desabrochou
Infinitos foram os olhares perdidos
suspiros paciente em tardes solitárias
do ardor não restou nenhum resquício
Súplicas inexpressivas, emolduradas
liberto é este Horizonte que não alcanças
as folhas consigo, vazias lembranças
Aprendi na dor a Renascer com a Esperança
Volte, vento, para o esquecimento!
Acredite, a porta não se abrirá
não há mais espaço para ti neste lugar

O tempo esqueceu de nós
O pôr do sol também
Em terra áridas, alguém chama
Refúgio esquecido, ilha de Eana
Seus passos, encontrados
O vento apagou as marcas
Passos separados
Tempo e solidão lado a lado
Restou-nos o adeus sem fim
O suspirar envelhecido
Pétalas debulhadas no abismo
Prometa-me! Cuide dessa dor
Laço cruel que nos une
De nós o que restou

Soneto Mulher
Mulher, que em passos firmes traz a luz,
És todo o amor na face da perfeição.
No peito, o fogo que o destino conduz,
Há vida nos gestos do teu perdão.
És rima doce que o cansaço reduz,
O prumo que sustenta o coração.
Vencendo a dor que ao tempo seduz,
Erguendo o mundo com a tua união.
A tua voz é a coroa da vitória,
Que em cada luta escreve nova história,
Com a têmpera da graça e do querer.
É dia de exaltar tamanha glória,
Guardar no peito a vossa trajetória,
Pois todo o mundo nasce da mulher.
Márcio Lacerdda
Escritor| Romancista | Poeta | Cronista

